Delegacia sem estrutura deixa comunidade desassistida
A falta de pessoal para trabalhar nas duas delegacias de Polícia em Brusque é cada vez mais complicada. Na semana passada, quatro servidores da Delegacia da Comarca saíram de férias ou de licença prêmio - dois agentes, um escrivão e o delegado titular.
A Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e ao Idoso também foi atingida com a falta de policiais e uma precária estrutura administrativa. O delegado titular da delegacia especializada, Alonso Torres, que já foi titular da Comarca e também chefiou o setor de investigações, falou do problema.
Na sexta-feira (18), apenas Alonso e duas escrivãs trabalhavam na delegacia. O estado de abandono era facilmente notado.
Quem chega à delegacia encontra um texto em exposição - que o delegado deixou para a comunidade - mostrando o que é necessário para que uma delegacia trabalhe normalmente. O documento mostra as necessidades e o que aquela unidade da Polícia Civil tem para trabalhar, hoje.
"Primeiro, nós temos que ressaltar a importância da Delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e ao Idoso. É uma delegacia especializada que foi criada para atender uma parte frágil da população. Devido a isso, precisamos ter o mínimo de estrutura. Essa delegacia está atuando há quase um ano e meio sem equipe de investigação, sem equipe de plantão para registro de ocorrências em casos emergenciais e sem estrutura administrativa adequada", registra Alonso Torres.
O delegado continua: "Nós tínhamos uma única agente policial, cujas tarefas foram divididas em registrar os boletins de ocorrência durante o expediente, fazer o serviço de secretaria e, ainda, o trabalho externo", desabafou.
Na semana passada, Alonso Torres redigiu uma exposição de motivos e encaminhou ao delegado Regional Francisco Ari Plantes dos Anjos, demonstrando quais as carências da delegacia e pedindo providencias.
"Está saindo uma turma da academia de Policia Civil uma turma de agentes policias sendo formada. E eu espero que a delegacia em que eu sou titular receba a devida atenção".
Segundo Alonso, o delegado regional já encaminhou a situação ao diretor de Polícia do Litoral. Para que a delegacia de Proteção à Mulher, Criança, Adolescente e ao Idoso possa trabalhar normalmente, hoje, em Brusque, seria necessário mais um escrivão e no mínimo mais sete agentes policiais.
Caso aconteça um crime que se enquadre na delegacia especializada, o delegado não tem condições de investigar. "Se isso acontecer, eu vou instaurar um inquérito policial e tomar as medidas preliminares. Inclusive, estou aguardando orientações administrativas do delegado Regional, ou do diretor da Polícia Civil, sobre como proceder em casos onde haja a necessidade de investigação policial. Hoje, essa unidade policial não está em condições de investigar", afirmou o Alonso.


